sábado, 14 de maio de 2011

Você sabe a diferença entre Imanência e transcendência?


    Como muitos alunos e amigos ficaram em dúvida em relação ao tema de espiritualidade e principalmente no que tange a Imanência e a transcendência, segue em pauta um curto artigo que foi encaminhado à Escola Superior de Teologia (EST) durante o curso de formação de professores de Ensino Religioso. Farei algumas adaptações para facilitar a compreensão de todos, e espero que você possa tirar a sua dúvida e sempre se lembre que todo ser humano precisa de seu "Deus"! 



Imanência e transcendência

        
Bruno Pontes da Costa. EST. Brasil[1]

    A abordagem deste texto-reflexão evidencia a conceituação e caracterização dos elementos da imanência e da transcendência que perpassam pela análise epistemológica da área do conhecimento religioso enquanto educação.
    O termo "imanência" é normalmente entendido como uma força divina, uma divindade ou o ser divino, que permeia todas as coisas que existem e é capaz de influenciá-las direta ou indiretamente. Tal significado é comum no panteísmo e no pampsiquismo, isto implica em que a divindade esta inseparavelmente presente em todas as coisas. Neste significado de imanência é distinto da transcendência, mais tarde entendido como a divindade sendo separada ou transcendente ao Mundo.
    No contexto da teoria de Kant do conhecimento de imanência, significa manter nos limites da experiência do possível.
A transcendência é um termo que na Filosofia pode conduzir a três diferentes, porém relacionados significados, todos eles originaram-se da raiz latina "ascender" ou indo além, sendo, um significado originado na filosofia antiga, passando pela filosofia medieval e moderna.
    Algo é transcendental se isto tem um papel no modo como a mente "constitui" os objetos e se faz possível a nós experimentá-los como objetos em primeiro lugar (algo palpável, tangível). Normalmente o conhecimento é o saber sobre um determinado objeto; conhecimento transcendental é o saber de como é possível para nós experimentarmos estes objetos como objetos. Isto se baseia no conceito de Kant do argumento de David Hume que certas características do objeto (tais como a persistência, relações causais) não podem derivar da impressão que temos deles.
    A discussão aqui originada se dá em torno dos conceitos de imanência e transcendência e está exposta principalmente, nas obras de Spinoza, Emmons e Manuel Sérgio, situação a qual no momento, nos impossibilita tecer determinados comentários, devido a profundidade do assunto em pauta e o tempo correlacionado.

Em essência bruta, a imanência, por meio da etimologia, se traduz pelo pertinente a um ente, como a existencialidade própria do ser humano. O imanente está no todo que compreende o ser humano, o próprio homem, mas, o transcendente é tudo o que está na possibilidade humana. Ao concordar-se com Emmons (2000), sobre a inteligência espiritual, admite-se que o sentido imanente dessa inteligência espiritual possibilita e pode promover a transcendência. Para o autor, a espiritualidade ou inteligência espiritual permite ao sujeito estabelecer um contato íntimo com o poder supremo e com o próprio sujeito, com o mundo, com a morte e com a vida, considerando esse dado como forma de compreensão cognitiva.

A divindade seria transcendente e, ao mesmo tempo, imanente. Seria transcende porque só Ela seria o ser, enquanto o mundo dos seres visíveis seria a pura ilusão do conhecimento abstrativo. A Divindade seria também imanente porque estaria, atualmente, presa no mais profundo de todas as coisas (ANACLETO, 2006).


A inteligência espiritual é definida a partir de dois aspectos: a existência de um conjunto de capacidades (faculdades) e habilidades associadas à espiritualidade (cognitivos de fé ou exercício de fé) e às diferenças individuais dessas capacidades e habilidades conferidas pela subjetividade desse sujeito. Nessa mesmo entendimento, a inteligência espiritual consiste em um conjunto de competências que fazem parte do conhecimento adaptativo desse homem, o que caracteriza o processo cognitivo.
Nessa perspectiva, a transcendência, relacionada ao sagrado, é resultante latente de uma formação espiritual que consiste na reunião de informações e conhecimentos relativos ao sagrado e que permitem que o sujeito se aproxime do divino, do espiritual, da crença, da religião, de Deus.
Etimologicamente, transcender é elevar-se acima ou ir além do mundo e do cotidiano. Com relação ao divino, é aproximar-se, estreitando o relacionamento com o sagrado.
Os dois conceitos, com certeza são faces de uma mesma substância. A própria possibilidade de transcender é imanente ao ser humano. Correlações entre espírito e corpo. Dimensões humanas do ser.

Bibliografia.

ANACLETO, José Manuel. Imanência e transcendência de Deus. Disponível: http://www.biosofia.net/biosofia2/bio2_99_trans_imanencia3.asp. Acessado: 11.05.2006

_____. Corpo, religião e escola: ética e moral nos códigos gestuais. Anais do IV Congresso Latino-americano da Unimep. 2006.

Baruch Spinoza. Disponível: http://www.mundodosfilosofos.com.br/spinoza.htm. Acessado: 11.05.2006.

DUROZÓI. Gérard. ROUSSEL, André. Dicionário de Filosofia. 2ª ed. Campinas: Papirus, 1996.

EMMONS, Robert. Is spirituality an intelligence? Motivation, cognition, and the Psychology of Ultimate Concern. In The International Journal for the Psychology of Religion, vol. 10, number 1, 2000. p. 3-25

MANUEL SÉRGIO. Epistemologia da Motricidade Humana. Lisboa: Ed. FMH, 1996.



[1] Bacharel em Sociologia e Teologia, Pós-Graduando em Ética Subjetividade e Educação da EST, faz mestrado em Magister Divinitatis pela FATEFFIR e Ciências da Educação pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia, Portugal.

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